HPLC no controle de qualidade da água: o que pode e deve ser analisado

A Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) é uma técnica analítica amplamente utilizada no controle de qualidade da água, especialmente quando se busca detectar e quantificar compostos orgânicos em baixas concentrações.

Embora outras técnicas sejam tradicionalmente aplicadas para o monitoramento da qualidade da água — como espectrofotometria UV-Vis, cromatografia gasosa (GC), espectrometria de massas (MS), absorção atômica (AAS) e titulações clássicas — a HPLC se destaca pela sua sensibilidade, seletividade e versatilidade. 

Ela permite a análise de uma ampla gama de substâncias, desde contaminantes emergentes até compostos regulatórios definidos por legislações ambientais e sanitárias.

O controle de qualidade da água

A água potável, segundo a legislação brasileira, deve atender a padrões de qualidade que envolvem diversos parâmetros físico-químicos, microbiológicos e organolépticos. 

Entre os compostos que podem ser determinados por HPLC estão os pesticidas, fármacos, subprodutos de desinfecção, corantes industriais, hidrocarbonetos aromáticos, compostos fenólicos, entre outros. 

A complexidade crescente das fontes de contaminação, aliada ao aumento do número de poluentes emergentes, faz da HPLC uma ferramenta essencial para garantir a segurança da água destinada ao consumo humano e a usos industriais e farmacêuticos.

O controle de pesticidas

Um dos principais grupos de substâncias analisadas por HPLC na água são os pesticidas. Muitos pesticidas são compostos orgânicos polares, termolábeis ou não-voláteis, o que inviabiliza a análise por cromatografia gasosa sem derivatização. A HPLC, especialmente acoplada a detectores como UV-Vis ou MS, é capaz de quantificar resíduos de herbicidas, mediante derivatização, entre outros. O controle de pesticidas é especialmente importante em regiões agrícolas, onde o escoamento superficial e a lixiviação podem contaminar mananciais e aquíferos.

Fármacos e contaminantes emergentes

Outro grupo relevante são os fármacos e contaminantes emergentes, como hormônios (ex.: etinilestradiol), antibióticos (ex.: sulfametoxazol, ciprofloxacino), anti-inflamatórios (ex.: diclofenaco) e estimulantes (ex.: cafeína). A HPLC, com detecção por espectrometria de massas (LC-MS/MS), é considerada padrão ouro para a identificação e quantificação de tais substâncias em níveis de traços (ng/L).

Os compostos fenólicos

Os compostos fenólicos são outro alvo importante, já que podem se originar de processos industriais e causar impactos tanto à saúde humana quanto ao sabor e odor da água. A HPLC permite a separação de fenóis simples e substituídos, como fenol, cresóis e bisfenol A, frequentemente detectados em áreas de influência industrial.

A água na indústria farmacêutica e alimentícia

Na indústria farmacêutica e alimentícia, onde a água é amplamente utilizada como insumo e solvente, o controle de qualidade deve ser ainda mais rigoroso. Em sistemas de água purificada e água para injetáveis, a HPLC é empregada para detectar impurezas orgânicas totais e para realizar o perfil de compostos orgânicos não voláteis que não seriam detectados por técnicas mais convencionais, como o TOC (carbono orgânico total), que fornece apenas uma medida global da carga orgânica. Neste contexto, a HPLC com detecção por índice de refração ou UV é útil para investigar desvios, contaminações cruzadas ou resíduos de limpeza.

A escolha da fase estacionária e da fase móvel na HPLC depende da polaridade e da natureza dos compostos-alvo. Em geral, colunas C18 (fase reversa) são amplamente utilizadas por sua versatilidade, permitindo a separação de uma grande gama de compostos orgânicos com diferentes características químicas. Detectores UV, fluorescência e espectrometria de massas são os mais aplicados, a depender da sensibilidade requerida e da seletividade necessária.

Apesar de sua eficiência, a HPLC não é uma técnica isolada e nem substitui completamente outras abordagens. O controle de qualidade da água é multidisciplinar e envolve técnicas complementares. 

Por exemplo, a espectrofotometria UV-Vis é muito útil para o monitoramento de nitratos, nitritos e cor verdadeira; a absorção atômica ou espectrometria de emissão óptica com plasma (ICP-OES) são empregadas para a determinação de metais pesados como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio. A condutividade elétrica avalia o teor de íons dissolvidos, enquanto o pH, turbidez e cor são indicadores importantes de qualidade sensorial e estabilidade.

Além disso, análises microbiológicas como a contagem de coliformes totais e Escherichia coli são obrigatórias em água potável. Técnicas modernas como PCR em tempo real (qPCR) e métodos baseados em bioluminescência vêm ganhando espaço para detecção rápida de contaminantes biológicos.

A HPLC representa um dos pilares modernos no controle de qualidade da água, especialmente pela sua capacidade de detectar uma vasta gama de compostos orgânicos em baixas concentrações. 

Sua aplicação é indispensável em contextos onde a simples medição de parâmetros físico-químicos gerais não é suficiente para garantir a segurança e a conformidade regulatória. 

Contudo, sua atuação é ainda mais poderosa quando integrada a um sistema abrangente de monitoramento da qualidade da água, que combine diferentes técnicas analíticas para avaliar de forma completa os riscos químicos e microbiológicos envolvidos.

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