A qualidade dos medicamentos começa muito antes de chegarem às farmácias. No coração desse processo estão os princípios ativos farmacêuticos (APIs), substâncias responsáveis pelo efeito terapêutico de cada produto. No entanto, junto a esses compostos podem surgir as chamadas impurezas, que representam um desafio crítico para a indústria farmacêutica.
Essas impurezas, quando não controladas, comprometem a eficácia, a segurança e a conformidade regulatória de medicamentos. Por isso, compreender sua origem, tipos e métodos de análise é essencial para laboratórios e empresas que trabalham com desenvolvimento e controle de qualidade.
O que são impurezas em APIs?
Impurezas são substâncias químicas que aparecem em um princípio ativo de forma não intencional. Elas podem surgir durante a síntese, purificação, armazenamento ou até mesmo durante a degradação do produto.
Embora pequenas quantidades sejam toleráveis, seu monitoramento rigoroso é indispensável, pois até concentrações mínimas podem gerar riscos à saúde ou impactar a estabilidade do medicamento.
Principais tipos de impurezas
De acordo com diretrizes internacionais como as da ICH (International Council for Harmonisation), as impurezas em APIs podem ser classificadas em três grandes grupos:
- impurezas orgânicas: resultam de subprodutos da síntese, intermediários ou produtos de degradação;
- impurezas inorgânicas: incluem reagentes, catalisadores, sais ou metais residuais utilizados no processo;
- impurezas residuais de solventes: solventes orgânicos que permanecem após a fabricação e não foram totalmente eliminados.
Cada uma dessas classes possui métodos específicos de detecção e limites de aceitação estabelecidos por normas regulatórias.
Normas e regulamentações aplicáveis
O controle de impurezas em APIs não é apenas uma questão de qualidade laboratorial, mas uma exigência de conformidade regulatória global. As principais agências internacionais — como ANVISA (Brasil), FDA (Estados Unidos) e EMA (Europa) — baseiam suas diretrizes nos padrões estabelecidos pela ICH, que harmoniza critérios técnicos entre diferentes países.
Algumas das normas mais relevantes são:
- ICH Q3A (R2) – detecção, identificação e quantificação de impurezas em substâncias ativas.
- ICH Q3B (R2) – impurezas em produtos farmacêuticos acabados, limites de aceitação e critérios de identificação.
- ICH Q3C (R8) – limites de solventes residuais.
- ICH Q3D (R2) – impurezas elementares (metais pesados).
- Farmacopeias internacionais – USP, EP e BP trazem métodos e especificações adicionais.
No Brasil, a ANVISA segue essas diretrizes e exige que cada API tenha controles documentados e relatórios de validação, com limites de aceitação compatíveis às normas internacionais. Isso significa que qualquer laboratório ou indústria que não esteja em conformidade corre risco de reprovação em auditorias, atrasos no registro de produtos e, em casos mais graves, recolhimento de lotes já comercializados.
O alinhamento com as regulamentações garante não apenas a aprovação regulatória, mas também a confiança do mercado, essencial para a credibilidade de fabricantes e fornecedores farmacêuticos.
Métodos analíticos para identificar e quantificar impurezas
A escolha do método analítico adequado é o ponto central do processo de controle de impurezas. Como as impurezas podem ser orgânicas, inorgânicas ou residuais de solventes, cada categoria demanda técnicas específicas para identificação e quantificação confiáveis.
Os principais métodos utilizados incluem:
Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC)
É a técnica padrão para detecção e quantificação de impurezas orgânicas e produtos de degradação. Quando acoplada a detectores como UV/Vis, fluorescência ou espectrometria de massas, amplia significativamente a sensibilidade.
Cromatografia Gasosa (GC)
Altamente indicada para solventes residuais e compostos voláteis. Com detectores como FID (Detector de Ionização de Chama) ou MS (Espectrometria de Massas), garante análise quantitativa robusta.
Espectrometria de Massas (MS e LC-MS/MS)
Fornece informações estruturais detalhadas de impurezas desconhecidas. É essencial em pesquisas de novos fármacos ou quando há necessidade de elucidação estrutural.
ICP-MS (Espectrometria de Massas com Plasma Indutivamente Acoplado)
É um método mais sensível e específico para detecção de metais pesados e impurezas inorgânicas. Atende diretamente às exigências do ICH Q3D.
Espectroscopia Infravermelha (FTIR) e RMN (Ressonância Magnética Nuclear)
São técnicas complementares para caracterização de impurezas, especialmente em casos complexos de identificação estrutural.
Além das técnicas, a confiabilidade dos resultados depende do uso de padrões de referência certificados, que servem como comparativos validados para identificar e quantificar cada impureza com precisão. Sem esses padrões, os métodos ficam comprometidos, reduzindo a credibilidade das análises perante órgãos regulatórios.
Por isso, os laboratórios precisam investir em instrumentação moderna, qualificação periódica dos equipamentos e treinamento constante das equipes, garantindo resultados consistentes e alinhados às exigências globais.
Desafios no controle de impurezas
Controlar impurezas em APIs envolve alguns desafios recorrentes:
- limites cada vez mais rígidos: as regulamentações estão em constante atualização, exigindo tecnologias mais avançadas;
- disponibilidade de padrões de referência: sem substâncias-padrão certificadas, a validação de métodos se torna limitada;
- complexidade das rotas sintéticas: novos fármacos podem gerar impurezas imprevisíveis.
Esses pontos reforçam a necessidade de fornecedores confiáveis de padrões analíticos e soluções em instrumentação.
Boas práticas para o controle de impurezas
Para garantir conformidade e segurança em APIs, algumas práticas são indispensáveis:
- utilizar padrões de referência certificados (com COA e rastreabilidade);
- implementar metodologias robustas de validação analítica;
- investir em instrumentação moderna e manutenção periódica;
- estabelecer um programa contínuo de monitoramento e revisão de resultados;
- documentar todos os processos conforme exigências da ANVISA e normas internacionais.
Garantindo segurança e qualidade em cada API
As impurezas em princípios ativos farmacêuticos (APIs) representam um dos maiores desafios para a indústria farmacêutica moderna. Mais do que atender às exigências regulatórias, controlar essas substâncias significa garantir medicamentos mais seguros, eficazes e confiáveis para a sociedade.
Laboratórios que adotam padrões de referência de alta qualidade, aliados a métodos analíticos validados, reduzem riscos e fortalecem sua credibilidade no mercado.
Tenha o fornecedor ideal: conecte-se ao portfólio da Modum Tech
A Modum Tech pode te ajudar com:
- padrões de referência certificados: para garantir a precisão e confiabilidade das análises;
- colunas cromatográficas de alta performance: ideais para HPLC e GC, garantindo separações precisas;
- consultoria técnica especializada: suporte na escolha de métodos analíticos e validação de processos.
Entre em contato conosco e descubra como elevar o controle de qualidade de suas análises de APIs.


